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Espaço de Luísa

somos claustros : somas de mãos . e silêncio das dores que se fizeram corpo da alma! vibrátil a voz deste silêncio . a vastidão maior onde desabito a memória.

Lua

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sou tanto, tanto e tão pouco...
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... e mais nada somos!

Vivi todas as coisas e maravilhei-me de tudo Mas tudo sobrou ou foi pouco _______ não sei qual __e eu sofri. Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. De “Passagem das Horas” de Álvaro de Campos

o poeta...

O poeta tem olhos de água para reflectirem todas as cores do mundo, e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem. Em seu olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas, e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros da miséria, com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento. Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias e o movimento ululante das cidades marítimas onde se falam todas as línguas da terra e o gesto desolado dos homens que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas e a luz do deserto incandescente e trémula, e os gestos dos pólos, brancos, brancos, e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram e os tesouros dos oceanos desvendados maravilhando com contos-de-fada à hora da infância e os trapos negros das mulheres dos pescadores esvoaçando como bandeiras aflitas e correndo pela costa de mãos jogadas pró mar amaldiçoando a tempestade: - todas as cores, todas as formas do mundo se agitam e gritam nos olhos do poeta. Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório, sai uma estrela voando nas trevas tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes. E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta que escreve poemas de revolta com tinta de sol na noite de angústia que pesa no mundo. Manuel da Fonseca

África...o esquecimento?

ainda… sempre…África! “se eu não disser serpente a serpente não existe” O mundo praticamente aceitou que milhões de africanos desapareçam na indiferença. Já não é só o deserto que avança. São homens, mulheres, crianças que serpenteiam na terra vermelha, na tentativa ilusória de encontrar um resguardo contra a morte. Vidas saqueadas, mãos nuas, olhos clandestinos… Gente esfomeada marcha dias, meses, anos, vagueiam como sombras escapadas à própria noite, viajantes perdidos no tempo. E não é só no Darfur…um pouco por toda a África a maldição da fome, da guerra, das epidemias enchem generosa e copiosamente as valas cavadas na terra sangrenta, território deserto, tão branco/negro como a morte que espolia milhões de crianças. A pilhagem foi sendo afinada ao longo da história. A gula insaciável da exploração dos seus recursos naturais, que até hoje atiçam os interesses de meio mundo, emboscou o continente africano em sistemas políticos viciados. Primeiro pelos colonizadores, depois pelos mesmos des.colonizadores a quem interessa manter o caos ______quanto menos organizados estão os governos, mais fácil se torna a exploração. E quantos chamados “Estados de Direito” alinharam com o que tem sido feito até hoje em África? Dá-se com uma mão e a seguir vai-se roubar com uma centena? Milhões de mãos, milhões de olhos continuam a enviar-nos mensagens que não descodificamos, batem à porta do pretenso “espectáculo de modernidade” na altura exacta em que todas as luzes se apagam. África chegou ao espaço do esquecimento?!... nenhum olhar parece vê-la, nenhum ouvido parece ouvi-la… a não ser os dos que a pilham em sistemas de corrupção e compadrio. … É tão imenso este manicómio onde treinamos para ser…NADA! lua
 
Quantos amo e ainda amarei... será possível escolher?!!!...dependendo dos nossos tempos e espaços, eles chegam e instalam-se mansamente como quem pede um beijo...
Gosto do momento, exacto ou nem por isso, em que se torna possível colar cartazes nas paredes ao lado dos meus ombros (espero o autocarro, vejo devagar, sorrio). Mas gosto, sobretudo, dos cães quase sem dono que roçam as esquinas, pisando restos de garrafas - ou das pessoas que desconheço e das bebidas todas que ignoro (porque me matam menos e se chamam - como eu - insónia, pesadelo, golpe baixo). Existem, claro, raparigas louras um tanto heteredoxas que não te apetece beijar (a forca do bâton, perfeita - o cigarro aceso pedindo outro lume). Essas mesmas que hão-de um dia procriar com zelo, evitando rugas, tumores e o mundo como representação misógina. Mais lírica, sem dúvida, é a lavagem das ruas, com a cerveja a premiar a farda demasiado verde e os bigodes de serviço. Outros, alguns, tornam concreto o torpor de um charro e pedem-te em crioulo básico um cigarro português que tu vais dar, sem esforço nem palavras. Entre shots, piercings, t-shirts de Guevara e gel, podes não acreditar por algumas horas no axioma frágil do teu corpo. Esfumas-te, como eles, no espelho de um bar qualquer, país de enganos e baratas. E quase gostas disso, quase: a música de punhais, servil, um certo e procurado desencontro. Um táxi te ensinará depois o caminho de casa - ou o seu contrário, pois só ali (anónimo e desfocado) eras finalmente tu, ou podias ser. O resto, a vida, fica para outra vez. _______ Manuel de Freitas
July 08

...

 

 

 

 

 

à Mirita

com toda a ternura que o meu coração acumula.

Obrigada… e parabéns!

 

*

*

*

_____

_______

 

ensinaram-me que o amor pode ser uma rosa  um cacto…

ensinaram-me a memória das suas  pétalas.

. . .

frágil o desalinho dos dedos

que se acrescenta em silêncios

com garras ... e  todas as palavras

gritam a sobrevivencia insubmissa de uma pele

que é de um rio

a foz  a margem 

 dolorosamente muda

 muda e agónica

.

.

 

 

. . . 

 

 

o que virá de um colo terno

no sorriso da manhã embalar a minha voz?

 

__o tempo desliza devagar  

diz a voz do esquecimento

passa lento  

assustadoramente lento.

e antes que envelheça nas palavras

ou elas em mim se esqueçam

abandono a mão que escreve a minha sombra

sílaba a sílaba

para te dizer do amor

do que se escreve na extensão do coração

como uma paisagem alentejana.

relembro  o cheiro da terra

o rosto manso da noite sobre a casa

esse silêncio doce que de nós sobrava.

e tudo se redesenha com dedos de sol

a voz do amor todo por cumprir.

recordo a tua voz serena

uma mão de mãe em concha.

lembro uma árvore pequenina

a enfeitar de musgo aquele dezembro

e uns deditos de criança.

os gestos perfeitos em brincadeiras trapalhonas

o olhar do aconchego e um coração a esticar

o beijo pacificado onde o corpo descansava

e tudo o amor  transformava.

 

__o tempo desliza devagar

diz a voz do esquecimento

passa lento

assustadoramente lento.

faço agora    de cada verso

um caminho para o longe

cada vez mais longe

como uma  fuga    também um pranto

onde me exponho nua

magoadamente  nua.

em mim já  tudo ardeu

só umas gotas de chuva

tocam ainda    com uma sede infinita

as pontas dos meus cabelos

e as madeixas da memória

onde há barcos desmantelados

e brancas asas de pássaros.

 

ardemos como um incêndio

nas falsas asas de um Ícaro.

ficaste tu    como uma semente de sol

também a voz azul de uma criança

e um regaço de ternura

a embalar o meu sono.

 

escrevo-te agora    uma  saudade que dói

e  umas lágrimas de sol

nesse dia último do teu abraço

e falo-te  ainda    ao longe 

 nesta cadeira de Julho

___ as minhas mãos em foice

para colher umas rosas

que te cheguem na voz do vento

 e com o rigor substantivo das mãos

que despi de todas as sombras para te tocar o rosto

 digo-te :  _______ serás sempre um bálsamo   

a casa da ternura onde nos sentámos um dia   

um  tempo  das mais puras rosas    como o olhar das mães

 que  suaviza a minha noite.

 

 

lua
July 04

...

 

 

 

♪♪

 

♪♪♪

__________ ... e atravesso a ponte  dos milagres do silêncio.

vem caronte!

... feliz é aquele que transpõe o postulado das sombras

e renasce  do estilhaço das lágrimas.

____________

_______

 

*

*

*

_____

" espero, não sei onde, até quando,

o maternal regaço de estranhas rosas brancas..."

josé agostinho baptista

:::::::::::::::

I

I

I

 

imploro o silêncio

o silêncio que é fascínio

e deslumbre

ou instante

sobre a incessante

voz da dor

do amor

dos nomes acumulados

de vento

 

imploro o silêncio

a ser sílaba lenta

abraço

e pele

ou chão

na voz da água

 

imploro o silêncio

ninho de renúncia

aos olhos da mágoa

 

imploro o silêncio

a ser beijo

e destino

para abrir a eternidade

das rosas sobre a terra.

 

lua

June 30

...

:::::::::::::::::::::::

30 de junho

"assim fremente e nua,a luz só pode ser dos girassóis."

Eugénio de Andrade

...  _______ ou quando do corpo se faz poesia!

Pina Bausch

[1940-2009]

 ___________

"o silêncio de encontro à jugular, é uma lâmina pura."

josé mário silva

*

*

*

 

não digas nada
já esquecemos
a substância da palavra.

o corpo é uma sílaba indizível

se as aves perdem o rumo.

adormece na anca
da minha noite
ou rasgas-me de um silêncio de oiro

que atravesse

[definitivo

a minha solidão.

 

lua

 

June 26

...

 

 

 

 

Se te assolar a minha tempestade,

 

coloca-te, direita, frente ao meu vento;

 

fecha as pálpebras ao meu sopro,

 

fica cega

 

desse simples ver-me.

 

 

 

Rilke

 

 

 

_______________

 

 

 ______ ... tuas josé !

.

.

.

 

 

 sobre as fugas digo-te:

equilibro silenciosos olhares

sustentando os pés numa voz rasgada de pressentimentos.

simbólica é a flor branca do quase

a que resiste mas mãos

a que insinua os lugares no peito raso de segredos

a que um dia demos abrigo.

sei que as cidades vão ardendo

[também a nossa

ficando desertas e estéreis

um ventre vazio de uma água mãe de possibilidades

e tudo decresce até chegar à mingua

que suspende as coisas do seu corpo.

resta-nos a lucidez suplicante dos pássaros

esse gorjeio compulsivo que ainda suporta o sofrimento.

ironia? recomeço cada manhã com a estranheza do canto dos inícios

quando sei da condenação à morte

com a mesma certeza de  termos existido.

 

lua

 

 

June 23

...

 

 

explodem dois astros de éter.

uma estrela cadente passa

sem que tenhamos tempo para formular os três desejos.

 

al berto

 ____________

 

 

 

 

*

*
*

 

urbano o grito

queixume das pedras

que medem os dias crescentes de frio

insistente o vento 

demográfico sonho

às portas ilusórias.

a fome cresceu durante a noite.

ah pátria  esquecida

onde os cães morrem na praia.

e se perguntarem quem somos?

digo:

hoje limito-me a pronunciar o mundo.

 

lua

________
 
*
foto: jorge alfar
_______________________
 
 

Olá!

Sou pequenina na altura, mas a minha varanda é larga

... tem a dimensão do mundo

Volta sempre que quiseres.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
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♥Anna♥wrote:
 
É disto que gosto, meus amigos!
De os visitar deixar rosas e sorrisos.
Faço isto porque gosto de cada um de vocês!
As minhas ausências não significam esquecer...
São pelo meu trabalho que não deixa mesmo, meu primo ainda está muito doente, embora recuperasse um pouco, mas perco emenso tempo a saber noticias dele no hospital, estou sempre muito atenta, uma vez que as visitas ainda estão proibidas, mas tenho fé que o vou ver fora daquelas maquinas...
Meus Amigos, sempre quando posso apareço faço até o impossivel para vir deixar meu carinho,
Com um sorriso feliz vos digo que é prazer estar aqui!
Beijos meus,
Te espero sempre querida Amiga!
 
AnnASorriso
12 hours ago
Olá Lu !
Era mesmo só para te dar um beijo e desejar um dia feliz...
1 day ago
Olá Luísa!
Vim ver que novidades tinhas por aqui,a tua poesia.
Desejo-te um feliz fim de semana. Se possível com sol...
Não reparei se a Lua levava um círculo ao perto...sería chuva ao longe, diz o povo.
Seja como for, que tenhas um feliz fim de semana.
Um abraço da
Nantília
6 days ago
Nadawrote:
 
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HUGS FROM NADA-BARBARA
 
 
 
 
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June 21
Olá Lu vim dar-te um beijo e agradecer o teu texto que está excelente.
Logo que descobri o teu espaço adorei...
quero desejar-te um bom domingo, apesar deste calor sufocante.
aproveito também para te deixar aqui um poema de Alberto Caeiro
beijos muitos
 
June 21